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18/12/2019
Atraso no ritmo do plantio da soja pode comprometer potencial produtivo

Segundo última projeção da consultoria AgRural, o plantio atingiu 93% da área estimada para o Brasil

A safra de 2019/2020 de soja no Brasil está sendo marcada por atrasos no plantio, em comparação com a última safra. Essa situação pode afetar diretamente o potencial produtivo, segundo especialistas do Comitê Estratégico Soja Brasil (CESB). Problemas como chuvas irregulares, pior adaptação varietal e mais suscetibilidade a pragas e doenças podem ser enfrentados pelos produtores por conta da situação.

Segundo última projeção da consultoria AgRural, o plantio atingiu 93% da área estimada para o Brasil. Em 2018, estava em 96%. A consultoria relatou em seu boletim que seria preciso que as chuvas viessem com intensidade até fevereiro para tentar evitar que não haja quebra de produtividade.

Para o engenheiro agrônomo Ricardo Silveiro Balardin, membro-fundador do CESB e PhD em Fitopatologia, esses atrasos afetam diretamente o potencial produtivo da soja. Ele destaca a questão da adaptação varietal, que deve ficar prejudicada por conta desse desaceleramento, além das doenças que podem atacar as lavouras. “Poderá ser observado um aumento na pressão de inóculo (principalmente ferrugem), podendo implicar em um maior número de pulverizações (provavelmente não previstas). Neste caso, é provável que o produtor atrase a primeira aplicação, na tentativa de manter o número de pulverizações no que foi programado/comprado, com evidente comprometimento no resultado final”, afirma.

Além de também destacar a maior pressão por infestação de pragas, o engenheiro agrônomo e membro do CESB, Daniel Glat, relata que o milho safrinha também poderá ser prejudicado. “Ele é extremamente dependente da data de plantio de soja, porque as águas vão acabando em maio e junho. Quanto mais cedo plantar a safrinha de milho melhor e, quanto mais tarde, pior. Tenho impressão que o potencial de perda no milho safrinha pode ser até maior que a soja”, explica.

O engenheiro agrônomo, mestre em Fertilidade de Solo e Nutrição de Plantas e membro do CESB, Breno Araújo concorda que o atraso do plantio da soja irá afetar a janela indicada para o milho safrinha. “Plantar milho fora da janela de safrinha talvez não seja a melhor estratégia para construir um ambiente de alta produção. Talvez seja melhor colocar alguma planta de cobertura, corrigir o solo e pensar que a próxima safra pode ser até dez sacas por hectare melhor”, explica.


Produtores sentem os problemas

O produtor do Rio Grande do Sul, Maurício de Bortoli, campeão da última edição do Desafio CESB de Máxima Produtividade de Soja, relata que houve um atraso de 15 dias no plantio da soja em suas áreas por conta de chuvas irregulares. Assim, ele acabou perdendo a janela ideal na região, que seria entre 20 de outubro e 10 de novembro. “Começamos a semear os materiais mais rústicos, que servem para diluir o plantio e escoltar colheita, no dia 12 de novembro. Os melhores só semeamos a partir de 15 de novembro. Esse atraso vai resultar em uma queda de potencial produtivo, porque essas genéticas não respondem tanto a atrasos de plantio, acabam crescendo menos, com menos nós produtivos”, declara.

O produtor Pedro Lima, consultor de Minas Gerais e bicampeão do Desafio CESB, também ficou aguardando as chuvas, mas elas não vieram na data mais indicada para o início de seu plantio, que seria entre 15 de outubro e 15 de novembro. “Veio um pouco de chuva e plantamos. Mas como a chuva foi sumindo, tivemos que parar. E o peso da data de plantio é enorme para a questão da produtividade”, afirma.

Fonte: Agrolink

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