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24/05/2018
Crescem laços comerciais entre China e América Latina
A crescente demanda dos consumidores chineses está impulsionando o crescimento das exportações agrícolas da América Latina para o gigante asiático e a tendência é que isso fomente ainda mais a expansão e a diversificação dos produtos vendidos para o país. Especialistas acreditam que esse fortalecimento do laço comercial é fundamental para a criação de oportunidades de desenvolvimento de zonas rurais e novos processos de produção.

De acordo com Manuel Otero, diretor-geral do Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA) a tendência é que os asiáticos continuem aumentando sua busca pelas importações latino-americanas, principalmente no que se refere à produtos agrícolas. Ele explica que na última década a região se tornou responsável por um terço de todas as compras internacionais de alimentos feitas pela China. "Nos últimos 10 anos, as exportações agroalimentares da América Latina e do Caribe para a China aumentaram de 5,6% para 13%, uma tendência que é explicada principalmente pelo aumento de embarques para a China a partir do Cone Sul", disse Otero", comenta.

Entre os produtos que mais tiveram crescimento se destacam os derivados de soja, a carne bovina, aves, açúcar e frutas. Para Otero esse crescimento é potencializado ainda mais pelo fato de que a China possui poucas áreas para cultivo de alimentos e possuiu apenas 6% dos recursos hídricos do mundo. "A América Latina e o Caribe são responsáveis por mais de um quarto da terra arável do mundo e um terço da água doce do mundo. Além disso, é a região com maior potencial para incorporar novas terras à produção agrícola", comenta.

O consultor de relações internacionais da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil, Pedro Henriques Pereira, compartilha da mesma opinião. Segundo ele, desde 2013 a China se tornou o maior comprador dos produtos agrícolas brasileiros, ultrapassando a União Europeia. "O crescimento do valor (exportação) é inegável. Ele saltou de 8 bilhões de dólares em produtos agrícolas em 2008 para quase 27 bilhões de dólares em 2017, um aumento surpreendente em 10 anos, em termos quantitativos", opina.

No entanto Pereira ressalta que o Brasil ainda precisa investir mais no melhoramento da qualidade e diversidade de seus alimentos a fim de aproveitar os laços comerciais estreitos com os asiáticos. "Há uma revolução nos hábitos de consumo da população chinesa. Não apenas os padrões de vida dos chineses aumentaram, consumindo produtos com maior valor agregado e mais produtos de origem animal, mas também o público se tornou mais exigente e consciente do que está consumindo", conclui.  

Fonte: Agrolink
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