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26/12/2017
Com expectativas baixas, agricultores fogem de financiamentos

Em Santa Catarina, produtores estão fazendo autofinanciamento da safra

Com forte redução na área de milho, expectativas de produtividade menores na soja do que na safra anterior e incertezas quanto ao clima, os produtores rurais de Santa Catarina completaram o plantio em dezembro deixando os bancos de lado.

“É um ano bastante atípico para financiamentos agrícolas. O produtor estava capitalizado e abandonou os bancos oficiais para fazer uma safra com recursos próprios. Até porque o financiamento embute penduricalhos, como seguros, e não há uma [boa] previsão de preços, fazendo uma safra mais barata”, destaca Enori Barbieri, vice-presidente da Federação de Agricultura de Santa Catarina (Faesc).

Produtor de grãos e um dos maiores produtores de leite do estado catarinense, Diolio Moscheta, da região de Xanxerê, diz ter financiado menos que 50% da produção na nova temporada: “Planto milho há 30 anos e nunca precisei de um seguro, quando precisei há dois anos não me indenizaram. Quem pode economizar e está com os pés no chão, está deixando o banco de lado”.

Menos milho, mais soja

Moscheta é bom exemplo do que os poucos produtores de milho de Santa Catarina têm feito: utilizando o produto para silagem bovina. “Ano passado, quando o milho estava em alta, fiz contratos antecipados a R$ 45 reais. Este ano, quando vendi [no balcão] estava por R$ 25”, afirma.

Assim como em outros estados, a área de plantio de milho despencou em Santa Catarina. Dados da Secretaria de Agricultura apontam que área dedicada ao cereal será de 318 mil hectares nesta nova temporada, 45 mil a menos do que no ciclo passado. “Devemos ter a pior safra de milho de toda a história. As áreas plantadas são só para silagem de animais de leite”, reforça Barbieri.

O especialista destaca que isso preocupa porque Santa Catarina depende da importação de outros estados e do Paraguai, já que é o principal insumo para a produção de carne - o estado é líder em suinocultura e vice em avicultura, por exemplo. 

A área perdida pelo milho migra automaticamente para a soja, um dos poucos grãos que ainda traz rentabilidade ao produtor. A área de plantio chegou a 706 mil hectares, de acordo com a Secretaria de Agricultura - 7,3% superior à safra anterior.

Apesar disso, os contratos futuros ainda não ‘vingaram’ neste ano. “Eu diria que houve de 15%, no máximo 20% de comercialização antecipada”, afirma o vice-presidente da Faesc. Diolio Moscheta, contudo, revela que conseguiu a venda antecipada a R$ 70 por saca de soja - em novembro, a média da saca catarinense foi de R$64,42, segundo a Epagri - Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina. Mas ele ainda espera negócios melhores para o milho. “Tenho fé de que irá subir o preço”, diz.

Fonte: Gazeta do Povo - Agrolink

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