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05/07/2017
Soja alcança melhores preços em mais de dois meses no Brasil; negócios têm mais ritmo

Apesar da falta da referência da Bolsa de Chicago nas negociações desta terça-feira (4), em função do feriado nos EUA, os preços da soja praticados no mercado brasileiro conseguiram registrar valorizações expressivas em algumas das principais praças de comercialização do interior do país. 

Os ganhos, segundo um levantamento feito pelo Notícias Agrícolas, subiram de 0,79% - como aconteceu em Panambi/RS, com a referência em R$ 61,02 por saca - a até 5,47%, no Oeste da Bahia, com o valor chegando a R$ 61,17. Entre as demais praças, os indicativos oscilam de R$ 53,00 a até R$ 70,00 por saca, ligeiramente melhores do que os observados há algumas semanas. 

Já nos portos, os preços se mantiveram estáveis sem o apoio da CBOT. No disponível, R$ 72,00 em Paranaguá e R$ 72,50 no terminal de Rio Grande, enquanto a safra nova tem R$ 73,80 e R$ 76,50 por saca, respectivamente. 

Além dos patamares mais elevados no mercado internacional, as cotações da soja no Brasil continuam encontrando espaço também no câmbio. Nesta quinta, a moeda americana fechou com alta de 0,15% e valendo R$ 3,3102. 

"O mercado monitorou o cenário político local, em dia de sessão esvaziada", afirmou o gerente da mesa de câmbio do banco Ourinvest, Bruno Foresti à agência de notícias Reuters, também referindo-se à falta da orientação do mercado externo.

No Brasil, com essa puxada dos valores, os negócios vem caminhando em um ritmo mais acelerado, com os produtores aproveitando essas janelas de oportunidade que os novos momentos do mercado - principalmente em Chicago - estão trazendo. 

"A semana da soja no Brasil começou positiva, com os indicativos indo aos melhores níveis em mais de dois meses e desta forma desencadeando uma onda de negócios, com boatos aqui e ali e que nos levam a pensar que tivemos umas 2 milhões de toneladas negociadas somente nesta segunda-feira", explica Vlamir Brandalizze, consultor da Brandalizze Consulting. 

Bons e fortes números são observados também entre as exportações brasileiras, que já acumulam 44 milhões de toneladas no ano, com volumes que seguem recordes. De acordo com dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), somente em junho as vendas externas do país somaram 9,197 milhões. "O junho deste ano só está abaixo do mesmo mês de 2015, que e recorde histórico até hoje", afirma o consultor. 

Retomada de Chicago

Os negócios serão retomados na Bolsa de Chicago nesta quarta-feira (5) e, para o diretor da Labhoro Corretora, Ginaldo Sousa, há uma possibilidade de que essa reabertura do mercado pode ser positiva. Com foco no clima do Meio-Oeste americano, a falta de mudanças substanciais neste padrão que traz condições desfavoráveis para as lavouras dá espaço para esse novo avanço. 

"Os dois modelos climáticos (norte-americano e europeu) mostram chuvas muito abaixo do normal para esta época do ano", diz Sousa. E o mercado deverá continuar acompanhando o clima - neste momento bastante irregular. 

Esse quadro climático deverá ainda, também como explica o diretor da Labhoro, estimular um movimento de cobertura de posições por parte dos fundos, que ainda estão vendido em cerca de 115 mil contratos na soja. "Eles vão comprar, vão cobrir suas posições, mas não no mesmo ritmo do que se estivessem do outro lado, serão compras com menos ímpeto", diz. 

Também da Labhoro, a analista de mercado Andrea Cordeiro, lembra que o 4 de julho é, tradicionalmente, um marco para o mercado de grãos na Bolsa de Chicago. 

"Esse dia costuma ser um divisor de tendências. Afinal, esse é um período em que os trabalhos de plantio já findaram, que se tem uma melhor noção da área e o mercado se foca então no clima nos Estados Unidos", explica. 

Por: Carla Mendes

Fonte: Notícias Agrícolas

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