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12/04/2017
USDA indica aumento na safra na América do Sul e milho fecha 3ª feira com leves quedas em Chicago
A sessão desta terça-feira (11) foi negativa aos preços do milho negociados na Bolsa de Chicago (CBOT). As principais posições da commodity finalizaram o dia com quedas entre 0,50 e 1,00 pontos. O vencimento maio/17 era cotado a US$ 3,66 por bushel, enquanto o julho/17 trabalhava a US$ 3,73 por bushel. Já o setembro/17 finalizou o dia a US$ 3,80 por bushel.

Conforme dados reportados pelas agências internacionais, a movimentação negativa é decorrente das novas projeções apresentadas no boletim de oferta e demanda do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos), divulgado nesta terça-feira. Uma das alterações mais significativas trazidas pelo órgão foi em relação à safra da América do Sul, especialmente a do Brasil.

Segundo levantamento do departamento, os produtores brasileiros deverão colher 93,5 milhões de toneladas de milho nesta temporada. Em março, a projeção estava em 91,5 milhões de toneladas. "O aumento superou as expectativas dos participantes do mercado de uma elevação na safra de 900 mil toneladas do grão", destacou o portal Agrimoney.com.

Na visão de Richard Feltes, em RJ O'Brien, "a previsão para o Brasil é um tanto otimista, já que as lavouras ainda não estão em fase de polinização, uma das mais importantes da cultura. Os meteorologistas do USDA expressaram confiança de que o padrão climático mais úmido deverá ser mantido nas áreas de produção de milho safrinha".

Em contrapartida, alguns participantes do mercado ficaram decepcionados com a manutenção das exportações americanas em 56,52 milhões de toneladas para essa temporada. "O USDA não mudou os números das exportações, o que é estúpido. Estamos correndo muito acima do normal para as exportações de milho", disse Roy Huckabay, da Linn & Associates, em entrevista ao Agrimoney.com.

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>> Brasil: USDA aumenta safra de soja para 111 mi de t e de milho, para 93,5 mi

A partir de agora o foco dos participantes do mercado será o plantio da nova safra nos Estados Unidos. Ainda nesta segunda-feira, o USDA indicou que cerca de 3% da área prevista para essa temporada já foi plantada no país. O número ficou em linha com a média dos últimos anos e 1% abaixo do registrado no mesmo período do ano anterior.

Os investidores apostavam em uma área cultivada entre 6% a 7%. Contudo, as previsões climáticas indicam tempo firme nos próximos dias, o que deve favorecer o avanço dos trabalhos nos campos.

Mercado brasileiro

No mercado doméstico, o preço do milho caiu 6,98% em São Gabriel do Oeste (MS), com a saca do grão a R$ 20,00. Já no Oeste da Bahia, a perda ficou em 4,13%, com a saca a R$ 29,00. As informações fazem parte do levantamento realizado diariamente pelo economista do Notícias Agrícolas, André Lopes.

Por outro lado, no Porto de Paranaguá, a saca futura subiu 3,57% nesta terça-feira e encerrou o dia a R$ 29,00. Em Luís Eduardo Magalhães (BA), a alta foi de 3,45%, com a saca a R$ 30,00. Na região de Ponta Grossa (PR), o ganho ficou em 2,00%, com a saca a R$ 25,50. Nas demais praças pesquisadas o dia foi de estabilidade.

De acordo com o analista de mercado da Germinar Corretora, Roberto Carlos Rafael, os preços permanecem pressionados negativamente pela perspectiva de excesso de oferta no mercado doméstico. A Conab (Companhia Nacional de Abastecimento), divulgou nesta terça-feira, sua estimativa para a produção brasileiro de milho, que ficou em 91,46 milhões de toneladas.

"E o clima tem se mantido adequado para a safrinha. Desde o início do ano, já tínhamos fortes sinais de queda no mercado e agora, a cada dia, a perspectiva de uma safrinha recorde é fortalecida. Com isso, precisaremos de apoio do Governo para a comercialização dessa safra", destaca Rafael.

Ainda conforme pondera o especialista, o mercado já trabalha com rumores de leilões de opções, PEP (Prêmio para Escoamento de Produto) e Pepro (Prêmio Equalizador Pago ao Produtor Rural) para 2,5 milhões de toneladas. E cerca de 1,5 milhão de toneladas já seria negociada ao longo do mês de abril.

O analista ainda sinaliza que para que haja uma mudança no cenário, o Governo precisar intervir no mercado ou as exportações serem maiores. As projeções oficiais indicam embarques ao redor de 24 milhões de toneladas nesta temporada. A grande dúvida ainda paira sobre o comportamento cambial.

"Ou então, uma quebra na safra nos Estados Unidos. Se continuarmos com esse cenário, deveremos caminhar com preço abaixo da paridade de exportação. Esse não é um ano de especular", acredita Rafael.

BM&F Bovespa

No pregão desta terça-feira, os futuros do milho negociados na BM&F Bovespa encerraram com ligeiras quedas. As principais posições do cereal exibiram perdas entre 0,22% e 1,01%. O maio/17 era cotado a R$ 27,19 a saca, enquanto o setembro/17 fechou a sessão a R$ 27,40 a saca. O contrato novembro/17 era negociado a R$ 28,28 a saca.

As cotações acompanharam a movimentação negativa registrada no mercado internacional. Já a moeda norte-americana era negociada a R$ 3,1480 na venda, com alta de 0,29%. A Reuters reportou que a cena política brasileira voltou a preocupar nesta terça-feira o que deu suporte ao câmbio.

Fonte: Notícias Agrícolas
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