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26/09/2019
Semente introduz a maioria das tecnologias desenvolvidas para a agricultura
O setor sementeiro é um dos maiores suportes da agricultura brasileira. Os campos de sementes das principais espécies plantadas no País ocuparam 3,051 milhões de hectares na safra 2017/17 e no ciclo 2017/18. A produção de sementes foi estimada em 11,089 milhões de toneladas para os dois períodos, de acordo com dados do Sistema de Gestão da Fiscalização (Sigef), do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa).

Até julho de 2019, a área destinada aos campos totalizava 2,780 milhões de hectares para a etapa 2018/18 e para a fase 2018/19. O volume estimado somava 9,765 milhões de toneladas para as duas safras em andamento. A soja é a espécie mais produzida no País, com o volume calculado em 8,221 milhões de toneladas nas safras 2017/17 e 2017/18. É seguida pelas sementes de milho, trigo, forrageira tropical, aveia preta, arroz, feijão e algodão, entre outras. A produção média de sementes é de 1,99 tonelada por hectare, variando de 0,80 a quatro toneladas por hectare.

Ao longo dos últimos anos, o setor de sementes tem passado por mudanças significativas, relata Virgínia Carpi, coordenadora-geral de Sementes, Mudas e Proteção de Cultivares do Mapa. Como exemplo, ela aponta a demanda crescente por sementes acondicionadas em big bags, a verticalização da produção e a fusão entre empresas. O que requer a atualização periódica das normas que dispõem sobre o Sistema Nacional de Sementes e Mudas (SNSM), para que sejam adequadas à realidade do setor.

O plantio de sementes é controlado pelos obtentores das cultivares através das autorizações de produção e de comercialização concedidas aos sementeiros, esclarece o engenheiro agrônomo Alexandre Levien, diretor da Fundação Pró-Sementes, de Passo Fundo (RS). As autorizações são ajustadas para que não ocorra sobra de sementes, provocando a desvalorização do produto. Os obtentores concorrem entre si em busca do desenvolvimento de novos materiais que ofereçam algum diferencial, como resistência (doenças, insetos e herbicidas) e tolerância à seca.

Em outra etapa, o mercado exige cada vez mais sementes de qualidade. Os agricultores procuram comprar sementes com melhor qualidade fisiológica, ou seja, que expressem germinação e vigor elevados. “Os sementeiros que não atenderem à demanda por qualidade estão fadados ao insucesso na atividade”, diz Levien. De maneira geral, conforme o diretor, os sementeiros ofertam lotes qualificados. Também houve investimentos em novas e modernas Unidades de Beneficiamento de Sementes (UBS).

A maior dificuldade é enfrentada na comercialização de algumas sementes, destaca Levien. Hoje, por exemplo, a oferta de semente de soja é maior do que a demanda, acirrando a disputa pelos compradores. “Os produtores que não possuem área comercial bem desenvolvida e treinada tendem a ter dificuldades de vender as sementes”, frisa. A oleaginosa também é a mais afetada pela pirataria.

O Brasil está bem posicionado em relação às demais nações produtoras de sementes no mundo. A indústria sementeira que atua no País é pujante e não perde para a de nenhum outro continente, compara Levien. Várias empresas multinacionais estão realizando grandes investimentos no setor sementeiro brasileiro. "É através da semente que se introduz a maioria das tecnologias desenvolvidas para a agricultura", destaca.

POTENCIAL

O setor sementeiro nacional movimenta o terceiro maior valor do mundo, destaca Virgínia Carpi, do Mapa. Nesse quesito, o País só perde para os Estados Unidos e a China. “O Brasil é consumidor e gerador de tecnologias no campo”, ressalta. Está habilitado para certificar sementes para fins de exportação pelas regras da Associação de Agências Oficiais de Certificação de Sementes (AOSCA), da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), do Mercosul e da União Europeia.

Cera de 29% das sementes produzidas no território nacional são certificadas, de acordo com os registros do sistema do Mapa. “Isso demonstra o grande potencial para o incremento da certificação voltada aos mercados interno e externo”, observa Virgínia.

Também há espaço para aumentar a exportação de sementes de diferentes espécies. Inclusive de milho, pois oferece condições para a produção de sementes em épocas que a multiplicação não é viável em outras nações.

Fonte: Agrolink
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