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11/07/2019
El Niño x onda de frio de julho 2019

O frio extremo deixou uma pergunta no ar: se o inverno de 2019 é com El Niño, como explicar estes dias congelantes?

A intensa onda de frio que passou pelo Brasil nos primeiros dias de julho de 2019 gelou o país de norte a sul e literalmente congelou áreas do Sul, do Sudeste e do Centro-Oeste. 

O frio extremo deixou uma pergunta no ar: se o inverno de 2019 é com El Niño, como explicar estes dias congelantes?

No primeiro alerta lançado pela Climatempo sobre esta forte massa de ar polar, no final de junho, foi comentando que a chegada desta onda de frio estava de acordo com a previsão climática feita pela Climatempo. 

Comentou-se também que todo o frio do inverno de 2019 ficaria concentrado em julho e que a previsão deste resfriamento extremamente forte na primeira semana de julho não mudaria a expectativa de que o inverno de 2019 terá poucos eventos de frio e é sob a influência de um El Niño fraco.

El Niño dificulta a chegada do ar polar ao Brasil. Estas massas de ar muito frias demoram a chegar  América do Sul em anos de El Nino. O que normalmente ocorre são massas menores e com menos intensidade.

A meteorologista Patricia Madeira, especialista em análise climática da Climatempo observa: “A influência do El Niño não impede a eventual entrada de massas fortes, principalmente porque o fenômeno este ano é fraco. Mas em média,  as temperaturas vão ficar acima do normal quando fizermos a conta final no fim deste inverno. Se fosse um inverno com La Niña, o frio iria ficar por mais tempo”.

Correlações El Nino e La Niña

O fato de termos um El Niño não inviabiliza um evento de frio extremo na América do Sul. La Niña facilita a ocorrência de ondas de frio fortes. Mas não se pode generalizar ou adotar um padrão de correlação fechado entre o frio extremo e os fenômenos La Niña e El Niño.

A histórica onda de frio de 1975, uma das mais intensas já observadas sobre o Brasil, provocou neve generalizada sobre o Sul e geada severa, negra e branca, que dizimou a cultura cafeeira do estado do Paraná. 

O ano de 1975 foi com La Niña moderada a forte.

Outra onda de frio histórica, muito lembrada e estudada pelos meteorologistas no Brasil, é que ocorreu em 1994. Os efeitos desta enorme e forte onda de frio foram sentidos no estado de Roraima, ultrapassando portanto a linha do equador. Boa Vista, a capital de Roraima, registrou 7,6°C em 26/6/1994. 

O ano de 1994 começou com um padrão de neutralidade na porção central e leste do oceano Pacífico Equatorial, mas no inverno já se tinha uma tendência de aquecimento e o ano terminou em El Niño fraco a moderado. 

O inverno de 2013 também entrou para a história do frio do Brasil por causa das temperaturas muito baixas e da grande quantidade de episódios de neve no Sul do Brasil. Foi entre os dias 21 e 25 de julho de 2013 que a neve cobriu a Região Sul de forma generalizada e voltou a nevar em Curitiba, o que não ocorria desde 1975.

Em 2013, o Sul do Brasil viu neve mais de uma vez em agosto e ainda teve uma derradeira nevada no fim de setembro. A neve que caiu na serra catarinense em 24/9/2013 se tornou o décimo segundo evento de neve nesta região do país no ano de 2013.

Durante todo o ano de 2013 foi observada uma anomalia ligeiramente negativa(temperatura abaixo da média) o centro-leste do Pacífico Equatorial, mas não se configurou efetivamente um episódio La Niña.

O frio mais extremo que o Brasil viveu recentemente foi no inverno de 2016, quando geou dentro da cidade São Paulo e até na região cafeeira da Alta Mogiana Paulista, na divisa com Minas Gerais. 

As ondas de frio fortes de 2016 começaram a chegar nos últimos dias de abril, rompendo um intenso bloqueio atmosférico, e se estenderam pela primavera. No último dia de novembro de 2016, a cidade de São Paulo ainda amanheceu com frio em torno de 13°C. O Sul do Brasil viu neve novamente em agosto.

Um forte El Niño influenciou o verão e parte do outono de ano 2016 que terminou com um episódio de La Niña fraca a moderada.


Inverno de uma semana

No calendário, o inverno se estende até o dia 23 de setembro, mas o frio do inverno de 2019 ocorreu todo nos primeiros 10 dias de julho. Podemos dizer que todo o frio de 2019 veio com a forte massa de ar polar que passou sobre o Brasil entre 4 e 9 de julho, sendo que os dias de frio mais extremo foram 6 e 7 de julho. 

Nevou em várias áreas do Rio Grande do Sul e de Santa  Catarina, inclusive em regiões de baixa altitude, nos dias 5 e 6 de julho de 2019.

Temperaturas negativas foram observadas na passagem desta intensa onda de frio nos estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, Mato Grosso do Sul, São Paulo e Minas Gerais. 

No estado de São Paulo, no dia de 6 de julho, o CIIAgro mediu -2,1°C em Barra do Chapéu. A temperatura chegou a -6,4°C em Urupema, no alto da serra de Santa Catarina (Epagri-Ciram).

No dia 7 de julho,  a temperatura chegou a -9,2°C em Urupema (Epagri-Ciram), na parte mais elevada da serra de Santa Catarina, e -7,1°C em General Carneiro (INMET), no sul do Paraná. 

Destaca-se também a temperatura de -0,1°C em Ituiutaba (INMET), no Triângulo Mineiro, -1,2°C em Rio Brilhante (INMET), em Mato Grosso do Sul. 

Geou na Grande São Paulo nos dias 6 e 7 de julho de 2019, inclusive dentro da cidade de São Paulo.

No dia 8 de julho, a região de General Carneiro (PR) registrou -5,2°C (INMET) e no Parque Nacional do Itatiaia, na altitude de 2450 metros, a temperatura chegou a -8,1°C (INMET).

No dia 9 de julho houve registro de geada na região serrana do Espírito Santo.

Pode esfriar mais neste inverno?

O inverno de 2019 continua até o dia 23 de setembro, mas o que se pode realmente chamar de frio já passou. Não há mais expectativa de outra onda de frio intensa como esta ainda em julho e nem no restante do inverno de 2019. 

Outras massas de ar frio de origem polar ainda vão passar sobre o Brasil até o fim do inverno de 2019, mas nada que poderá será comparável a intensidade e a abrangência da onda de frio do começo de julho.

As próximas massas de frio até o fim de julho poderão causar até causar alguma temperatura negativa nas áreas mais elevadas da Região Sul, mas devem chegar fracas ao Sudeste e pouco vão atingir o Centro-Oeste.

Se ocorrer alguma geada no Sudeste ainda em julho, será só em áreas de baixada, em pequenas regiões, nas áreas serranas. Não há mais expectativa de frio para geada em Mato Grosso do Sul.

Em agosto, a atmosfera vai esquentar e é a secura e o calor que vão ser manchetes no país.

Fonte: Agrolink

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